Thursday, March 22, 2007

Casamento entre sexos iguais...



Segundo o PortugalGay a Suécia prepara-se para aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E embora na Suécia a União Civil já seja uma realidade agora querem dar plenos direitos a todos os seus cidadãos e por isso a vontade de legalizar também o casamento. Como diz a nota da noticia esta atitude de um país europeu é sem duvida um bofetada de luva branca, mas diria ainda mais, trata-se de dizer que alguns estados cumprem com aquilo que assumem na EU, outros nem por isso.

Chantagem Camarária




Diria que aquilo que o Sr. Rui Rio está a fazer chama-se, FDP.
Primeiro pelo facto de querer desalojar a toda a força gentes que fizeram o que devia ser feito para se integrarem no meio social envolvente, vivem á mais de 20 anos no mesmo sitio com as condições que conseguiram, e de repente o senhor “todo poderoso” decide tirar estas pessoas do local onde tem raízes. Como disse um porta-voz em defesa dos habitantes, o dono da terra nunca apresentou qualquer queixa, ou solicitou qualquer intervenção com sentido ao desalojamento das pessoas que habitam os seus terrenos, e mesmo assim vá-se lá saber porquê estão a ser desalojadas. E quando estas fazem por manter as suas habitações, o Sr. todo-poderoso faz chantagem dizendo que ou se deslocam para as pensões ou não tem direito ás habitações. Ora estamos a falar de dois meses, dois meses como disse uma habitante não é nada comparando que vivem lá à 20 anos, se assim é se existe a disponibilidade dos habitantes em esperar mais tempo, porque é que o Sr. RR para alem de fazer chantagem tanto insiste em tirar dali as pessoas? Será que existe por trás algo que desconhecemos? Quem estará, ou vai, ganhar com isso?

Tuesday, March 20, 2007

E conseguimos dormir!?



Terá o tempo andado para trás? Por vezes penso que sim, por vezes penso que a humanidade ao invés de crescer está num recuo assustador, … que numa expressão dramática diria, a caminho das trevas do tempo da Inquisição. Temos um Papa que ínsita ao ódio, que despromove as mulheres, temos jovens que imbuídos por medos inconscientes, pela ignorância social tiram a vida daquilo que não conhecem, não querem conhecer, ou que eles próprios são, sem que o admitam. Tiram a vida daqueles que não querem compreender ou a sociedade lhes diz todos os dias, que não merecem viver, que são um qualquer vírus, ou culpados dos males do mundo, tornando aqueles que tiram a vida a esses outros, eles mesmos, um dos males do mundo. Conscientes? Penso que não, pois alguns, muitos, demasiados, saem impunes, ou com represálias que mais parece que não comeram a sopa toda.


Foi assim com o jovem Gay assassinado no Canada, “Matthew Shepard”; foi assim com a “Gisberta”, transexual do Porto/Portugal; foi assim com mais um jovem nos Estados Unidos de apenas 25 anos ( www.portugalgay.pt/news/index.asp?uid=190307C )


É assim com muitos que não são noticia porque a noticia é como o cheiro de carne morte que atrai os abutres, e ou a hienas, para se alimentarem, … a noticia é ela mesma na sua grande maioria impregnada de homofobia, de ignorância, de ódio, ela mesma incentivo ao ataque, á subtracção de vidas elas também já por si subtraídas ao que de facto deve ser viver.

Tuesday, March 6, 2007

Um vez mais um futuro adiado!...







Uma vez mais a vida de uns e outros fica em segundo plano, ou mesmo em terceiro devido á cobardia de uns e talvez à submissão de outros.

A JS mais uma vez dá para trás na introdução do diploma que visa alterar a lei do Casamento Civil (artº1577), deixando para outras “núpcias” porque sim!

Perguntão muitas vezes, ou criticam os jornalistas muitas dessas vezes, que os movimentos GLBT não conseguem ou não fazem por colocar na agenda politica isto e aquilo, no caso o Casamento Civil. Mas se ate o filho pródigo (JS) não o consegue num Governo que quem lidera é o Pai (PS) do mesmo, imaginem agora este movimento desorganizado, mais em busca de protagonismo que em defender quem de facto precisa!


Mesmo assim vale apena referir que neste momento o Estado Português, e este Governo em particular, esta neste momento, a negar a concretização de um direito defendido pela nossa Constituição Portuguesa de constituir família (artº39) e de ninguém ser discriminado (artº13), seja neste momento é o próprio estado que diz olha para o que faço não para o que digo, dado que esta escrito uma coisa e eles estão a fazer outra.


Não seria concerteza uma corrida ás conservatórias para se casarem, caso o casamento civil fosse alterado e permitisse que eu, por exemplo, tornasse publico a relação de afectos que tenho com o meu companheiro à anos! De certo que não, porque mesmo depois da lei dizer a cara com a careta (constituição com a lei do código civil) ainda muita coisa haveria para se fazer, pois os crimes de ódio com base na homofobia iam continuar ai, mas que alguns de nós pode dar-se ao luxo de poder concretizar esse desejo isso pode, e porque nos falta um Ministro com tomates no sitio continuamos à espera, continuamos relegados a segundo plano, continuamos a ser insultados todos os dias, as todas as horas, e silenciosamente vamos vivendo à espera desse passo decisivo, para a vida de muitos. Lamento que ainda estejamos neste ponto, lamento que a minha pátria me cobre os impostos mas não me devolva os direitos, que por direito me são devidos, faz mesmo muito tempo. Onde está o nosso José Luiz Zapatero?

Monday, March 5, 2007

Gisberta, uma carta para nós!



















Olá boa noite!


Vou tentar contar-vos quem fui até há bem pouco tempo, mais concretamente, ate Fevereiro de 2006.


Desculpe, não ouvi!?


Como é que me chamo? Mais à frente eu digo, agora o que interessa é que o meu nome é “igual” ao de tantas outras transexuais e prostitutas, que todos as noites vão calcorreando os passeios e beiras de estrada, vendendo serviços sexuais, fazendo os outros felizes, por breves instantes é claro, enquanto ganhamos a vida.


O meu nome é igual ao de tantas outras que partiram deste mundo, e de quem ninguém quis saber.


Bom, mas, passemos à frente! Quem fui?

Fui uma mulher linda, uma mulher que veio do Brasil para Portugal, para a Europa. Aqui fui mulher, fui gente, fui estrela, á pois é, fiz espectáculos que ainda hoje lembro, e sou lembrada pelas amizades que fiz nesse tempo.


Sempre amei intensamente, mas nunca fui amada. Restou-me os meus Yorkshire, a carolina, linda, foi atropelada por um carro acelerado, e o Leonardo, amigo do meu coração e de uma vida, a velhice levou-o. A natureza levou-o e com ele levou a minha vontade de viver, o meu equilíbrio, o meu companheiro de sempre partiu, e com ele partiu tudo que me restava. Sabem todos nós, seres humanos, somos mais ou menos permeáveis a este ou aquele químico, e eu descobri que o meu corpo nunca devia ter experimentado a droga.


O problema foi a primeira dose!


A casa vazia, sem os meus amiguinhos de pelo, o coração negro, vazio, envolvido por um silencio ensurdecedor levou-me nesse mundo obscuro do vicio.

Perdi-me, e não encontrei o caminho de volta. Ingressei no caminho para a morte.


Perdi-me e perdi o respeito por mim e pela vida, fugi das minhas amigas, afundei-me, sozinha, como na verdade sempre estive, embora rodeada de amigas, o Amor de alguém que connosco partilha o bom e o mau, cada momento, que connosco constrói uma vida a dois, esse Amor, esse, nunca tive.


No início deste ano eu estava muito mal. Debilitada física e psicologicamente, a droga, a sida, e todas as outras doenças oportunistas que tal como as pessoas, nos calcam quando estamos indefesas, deixaram-me num estado muito débil. Ganhava a vida, ou que dela restava, para comer e para o vicio, prostituindo-me. Vivi o fim da minha vida como uma sem abrigo, num prédio abandonado, e por acabar. Várias vezes vinham uns putos, quase todos os dias, que me chamavam nomes, sabiam que já tinha sido homem. Cheguei a ir á comunhão de um deles, eu conhecia-os. Mas a Fevereiro deste ano, um dia eles vieram, mas traziam um olhar diferente.


Chamaram-me nomes como de costume, mas foram-se aproximando cada vez mais, atiraram uma pedra, e depois outra, e outra, outra, e mais outra, … já bem perto de mim e antes que pudesse fazer algo, e como poderia de tão fraca que estava, pontapearam-me, deram-me socos, cai e amarraram-me os pés e as mãos, amordaçaram-me, e continuaram com os socos e os pontapés, … deixaram-me ali no chão e foram-se.


Que noite tão fria, e as dores que sentia, como foram eles capazes de fazer aquilo?


No dia seguinte voltaram, e ali estava eu imóvel no mesmo sitio onde me tinham deixado, e recomeçaram tudo de novo, pontapearam-me, socaram-me, queimaram-me com cigarros, … estava tão fraca que nem conseguia gritar, os meus gritos eram interiores, silenciosos mas intensos. Mas um grito fez eco, um grito de agonia, … eles penetram-me o ânus com um pau, infringindo no meu débil corpo uma dor dilacerante. Nesses instantes os meus gritos silenciosos, intensos, agonizantes, transformaram-se numa súplica a Deus Pai para, que me leva-se naquele instante, não suportava mais tanta dor, pensava eu! A tortura física que eles me faziam sentir, deu lugar á tortura psicológica de saber a mulher linda e energética que fui, estava agora ali deitada naquele chão imundo amarrada e amordaçada, a ser espancada, dilacerada, por crianças com menos de 16 anos, e que eu ate os conhecia, ali estava eu sem poder fazer nada. Foram-se, mais uma vez deixaram-me ali estendida, moribunda, como um cão morto na berma da estrada. Voltaram pela terceira vez no dia seguinte, e ali estava eu á “espera” deles, como se dali pudesse sair!? Doente com todos males que já tinha antes, agora com três dias sem comer ou beber, espancada, violentada, dilacerada, três dias depois do inicio do fim.

Olharam-me assustados e na expectativa de esconder o que tinham feito pensaram em queimar-me, mas isso dava muito nas vistas, o fumo era o problema, então decidiram atirar-me para dentro de um fosso de água parada, pensaram que estava morta, e embora não faltasse muito para isso, atiraram-me ainda viva para a água. Amarrada como poderia eu tentar pela minha vida, então terminei o meu caminho para a morte afogando-me. Seja tive a morte das mortes, depois de três dias sem comer ou beber a ser espancada, depois de ser dilacerada, afogaram-me, …diz o povo que não tem morte mais horrenda que morrer afogada ou queimada, pois eu superei este dizer, tive a morte mais agonizantes e desesperadas que qualquer ser vivo pode ter. Sem forças ou condições para poder me agarrar a algo ou tentar nadar ali fiquei, ali morri.


Meu Deus, como sofri!


Mas sabem, a minha morte não foi em vão!


Neste país que me acolheu e naqueles por onde passei, e outros, as minhas amizades não deixaram que eu fosse mais um nome numa já longa lista. Reuniram-se em vigílias, enviaram protestos, reclamaram justiça, a minha morte deu luz ás transexuais que ninguém falava, que ninguém via, mas que muitos usavam. A minha morte tem hoje uma força única, na boca de cada um que me lembra, nas acções de cada grupo. Hoje sou lembrada, e comigo ou por mim todas as Gisbertas do mundo são mais visíveis.


Ah! Sim, o meu nome é, …GISBERTA.


Que saudades tenho de vós meus amigos!