Wednesday, December 27, 2006

Três, só três na sala!



20,13


Quem não vir este filme é burro!


Seria mais que indicado usar esta expressão para comentar a obrigatoriedade de se ver este filme. O mais recente trabalho de Joaquim Leitão está no seu enredo, na sua concepção, e no seu argumento, um filme de primeira qualidade, a única coisa que parece não estar a acontecer é que estava na mesma sala que eu a ver este filme mais duas pessoas, ou seja, éramos três pessoas numa terça-feira época de ferias para os estudantes. Acredito que se fosse uma qualquer filme americano sobre a guerra do Vietname teria mais gente. Todo o filme está muito bem conseguido, para quem esteve na tropa como eu viu-se ali retratado, pelas birras de caserna, pelo vocabulário, e pelos apelidos dados a uns e outros. Na verdade tudo o que sei da guerra foi porque já ouvi falar, e os relatos ate hoje escutados estavam ali no filme, a cereja do filme o “preconceito” sobre a homossexualidade, que no tempo da guerra do ultramar se chama de homossexualismo. Pode ver-se uma das múltiplas razões que pode levar um homem ou uma mulher a suicidar-se ou até a matar para salvar a sua “honra”, perante meia dúzia de badamecos, de certo com tantos telhados de vidro como qualquer homossexual. E coloquei a honra entre aspas porque o facto de se ser homossexual, o facto de ter-se uma ORIENTAÇÃO sexual diferente em nada diminui a honra de seja lá quem for. É aquilo que tu fazes aos outros de bem ou de mal que pode aumentar, dignificar, ou diminuir, desonrar um ser humano, ou será que pelo facto de eu pedir um copo de leite numa taberna faz de mim menos ou mais honrado que os demais presentes que pedem vinho? Mas aqui no filme um capitão de uma companhia parte numa missão de risco, devolve os seus homens á segurança do aquartelamento, e ele executa sozinho a missão de neutralizar um ponto inimigo, com o custo da própria vida, numa aparente morte por causa da guerra, que mais não foi que um acto de suicídio assistido, … eu não me mato mas deixo-me morrer! Hoje e após bastantes anos ainda temos o bicho papão da homossexualidade a chantagear, e a martirizar a vida de muitos e muitas, na vida civil e militar. Como se ser-se de uma ORIENTAÇÃO sexual diferente fosse limitativo das capacidades intelectuais e profissionais de alguém.


O mundo não parou de girar mas para muitos parece que nuca andou, ou esta parado.


Depois trata-se ou continua-se a tratar muito mal o cinema Português, três, três pessoas a ver um filme com a qualidade deste, é no mínimo triste.


De uma vez por todas, mentalizem-se que o que é nacional é bom, e quando não for temos que reclamar para que quem faz mal feito o saiba e posso na próxima fazer melhor. Não se pode reclamar sobre o que não se vê ou que não se apoia, como diz a expressão e muito bem, “é preciso ver para crer!”, que aplicado ao caso seria é preciso ver para se saber do que se fala.


Parabéns aos actores, e a Joaquim Leitão, por mostrar o lado menos visível ou que muito se tentou apagar, da historia dos homens, e mulheres que lá estiveram.